NOVEMBRO AZUL: SEJA HERÓI DA SUA SAÚDE

caprostata2019

O Simplifique o Câncer, mais uma vez, aproveita as celebrações do mês de novembro para divulgar informações baseadas nas melhores evidências científicas e promover a saúde do homem de forma consciente e equilibrada.

São estimados para 2019, 68.220 novos casos, segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca). Frente a essa realidade, a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) inicia mais uma edição da campanha Novembro Azul, que chama a atenção para o diagnóstico precoce do câncer de próstata e também para a saúde do homem de forma global.

Com o tema “Seja herói da sua saúde”, o Novembro Azul da SBU recomenda que os homens a partir da puberdade devam procurar um profissional especializado, para avaliação individualizada.

O início da avaliação do risco de câncer da próstata começa aos 50 anos e, naqueles da raça negra, obesos mórbidos ou com parentes de primeiro grau com câncer de próstata devem começar aos 45 anos. Os exames deverão ser realizados após uma análise dos fatores de risco pelo urologista e ampla discussão de riscos e potenciais benefícios, em decisão compartilhada com o paciente. Após os 75 anos, poderá ser realizado apenas para aqueles com expectativa de vida acima de dez anos.

E o tabu do exame de toque retal?

Todo médico, dependendo da hipótese diagnóstica, pode realizar o exame de toque retal. Ele é apenas mais uma ferramenta que vai auxiliar no diagnóstico de determinadas doenças.

Estima-se que até 20% dos casos diagnosticados de câncer de próstata apresentam toque alterado, sem alteração do PSA, e cerca de 70% dos pacientes são curados com o tratamento do câncer de próstata quando a detecção da doença é feita na sua fase inicial.

O diagnóstico do câncer de próstata é feito exclusivamente através da biópsia da próstata. Para indicar corretamente a biópsia, o urologista precisa levar em consideração vários fatores, dentre eles o toque retal. A finalidade desse exame é detectar qualquer alteração na próstata (endurecimento, nódulos) que possa estar relacionada com a presença do câncer. Apesar de desconfortável, é parte fundamental da avaliação prostática, servindo também para auxiliar na decisão da melhor forma de tratamento, caso o câncer esteja presente. O PSA é o marcador mais utilizado no auxílio ao diagnóstico de câncer de próstata. Isoladamente, o PSA elevado não significa necessariamente que o indivíduo tem câncer de próstata, por isso a necessidade do toque retal. Os exames são complementares, e mesmo que um deles não acuse a doença, o outro pode indicar.

Geralmente o urologista irá solicitar esses exames caso o homem apresente algum sintoma, ou fatores de risco já citados acima.

Na fase inicial, o câncer de próstata pode não apresentar sintomas e, quando apresenta, os mais comuns são:

  • dificuldade de urinar;
  • demora em começar e terminar de urinar;
  • sangue na urina;
  • diminuição do jato de urina;
  • necessidade de urinar mais vezes durante o dia ou à noite.

Atualmente é priorizada a separação entre identificação de um tumor na próstata e a necessidade de tratá-lo, evitando tratamentos agressivos para doenças de baixo risco de progressão e reduzindo o “supertratamento” ou tratamentos desnecessários.

Também existem novidades como a utilização de exames de imagem em paciente com indicação clínica para biópsia, como a ressonância magnética multiparamétrica, que podem indicar a probabilidade de encontrar um câncer de próstata significativo utilizando a mais recente escala PI-RADS 2.1. Esse exame já foi incorporado na maioria das diretrizes internacionais e está chegando aos consultórios brasileiros.

Recentemente, cientistas anunciaram a criação de um novo teste de urina que pode ajudar no diagnóstico do câncer de próstata. O exame detecta a presença da proteína EN2, que, em homens adultos, só é produzida por células cancerígenas na próstata.

A notícia dá esperança aos homens que não querem enfrentar o exame de toque retal, ainda um dos melhores métodos para detectar anormalidades na próstata. O teste de urina que detecta a EN2 seria mais eficiente que a análise de PSA, pois se o aumento dos níveis do antígeno no sangue não é causado por câncer em mais de 60% dos casos, o teste da proteína levou a um falso positivo em apenas 4% dos casos. Entretanto, o novo exame ainda está sendo testado e pode demorar até ser usado pela população. Um inconveniente do teste de urina é que ele é incapaz de determinar se o homem tem um câncer de rápida ou de lenta evolução, o que é essencial na determinação do tratamento.

O Ministério da Saúde, assim como a Organização Mundial da Saúde (OMS), não recomenda que se realize o rastreamento do câncer de próstata, ou seja, não é indicado que homens sem sinais ou sintomas façam exames. Procure conhecer os riscos e os benefícios que envolvem a realização desses exames de rotina e converse com um profissional de saúde da sua confiança para decidir se deseja ou não realizá-los.

Nós do Simplifique, queremos alertar não só para a saúde da próstata, como também incentivar o homem a olhar mais para a sua saúde, fazer exames que podem prevenir uma série de outras doenças. As mulheres culturalmente têm esse cuidado, mas os homens só vão ao médico quando não se sentem bem. Ter a consciência de que é preciso também fazer um check-up é fundamental.

Não pense apenas no câncer de próstata! Seja herói da sua saúde e cuide-se de forma integral.

Renata Mattos
Graduada em Enfermagem pela Universidade Estadual Paulista - Júlio de Mesquita Filho (Unesp) desde 2006. Voluntária em projetos sociais de apoio ao paciente com câncer. Enfermeira-chefe do Instituto de Oncologia de Mogi das Cruzes-SP de 2009 a 2019. Atuou como docente de Enfermagem na Universidade de Mogi das Cruzes e hoje dedica-se a projetos pessoais no auxílio ao paciente com câncer e seus familiares com o auxílio de terapias holísticas e integrativas como aromaterapia e ayurveda.
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